Disciplina: Língua Portuguesa
Orientação:
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João Guimarães Rosa
João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais. Estudou Medicina em Belo Horizonte. Passou a integrar o serviço médico da força pública em 1932. Dois anos depois, fixou-se como Oficial Médico do 9º Batalhão de Barbacena. Teve intensa participação na vida política entre 1938 e 1958, exercendo diversos cargos ligados à diplomacia e à cultura: foi o primeiro cônsul em Hamburgo, Alemanha; depois, primeiro secretário e conselheiro da embaixada brasileira, em Paris; em seguida, ministro da primira classe, e assim por diante. Em 1963, ingressou, eleito por unanimidade, na Academia Brasileira de Letras. Faleceu no Rio de Janeiro m 1967.
Em sua obra, o sertão é um mundo e, de modo especial, um mundo que pode ser registrado, manipulado e transformado: é um mundo míico, ativo, interativo; espaço natural e cultural do sertanejo, que salta, de modo mais imediato, aos olhos dos leitores. Esse interesse, porém, aparece, não ocasionalmente, apenas como um fio da meada, como pretexto apenas para uma discussãomais universal sobre o ser humano e seu mundo; na verdade, sobre a relação, sempre tensa, que se estabelece entre o ser humano e o seu mundo.
De qualquer modo, na obra de Rosa, vislumbra-se essa ponte de ligação, de transcendência, entre o regional sertanejo e o universal humano, o que muito apropriadamente acontece no campo da linguagem e não em outro campos.
Linguagem
A linguagem da obra rosiana constitui um universo simbólico novo, reinventado, ao passo que representa, também como reinvenção, a vida sertaneja, a fala sertaneja, a angústia, a felicidade, a descoberta, o encontro e o desencontro sertanejo, como indicadores sensíveis da natureza e da existência do ser humano do mundo.
Mais diretamente poderíamos dizer que para Guimarães Rosa o sertão é um mundo - espaço existencial - e um mundo confundido com o universo linguístico poético, no sentido de que tudo nele é ainda virgem, novo e exótico, como experimentação de sentidos.
Em Rosa, o universo linguístico compreende um exaustivo trabalho com o léxico, que é recriado a partir de uma diversidade de técnicas morfológicas: os neologismos (a partir de derivações, composições, importações, corruptlas etc); a valorização de arcaísmos; o uso de onomatopeias; as renovações semânticas (novos significados para velhas palavras e expressões); as figuras de linguagem de todo gênero; o uso do vocabulário popular, do vocabulário sertanejo e do vocabulário culto; enfim, o experimentalismo vocabular em seu mais alto grau de liberdade e criatividade, a ponto de se ter de insinuar a existência de um dicionário novo, só de Guimarães Rosa.
Depois, para além do léxico, também a sintaxe de Rosa passa por um processo de reinvenção, renovação das possibilidades de relações entre as palavras e expressões: a sintaxe popular e a culta mesclam-se e conturbam-se em suas regras pela soma de relações sintáticas inusitadas, livres, distantes da prisão normativa; ideias e palavras somam-se num torvelinho, lançando os textos de Rosa aos campos novos, experimentais, surpreendentes, de feições estéticas, belas, poéticas.
O particular e o universal
Rosa renova o tema do regionalismo, que se configura como reflexo de uma originalidade linguística e de pontes poéticas criadas entre o que é local e o que é universal, entre o homem sertanejo e o homem universal: de um lado, encontramos sempre a problemática da jagunçagem, do coronelismo, das aventuras interioranas no setão; de outro laod, encontramos a problemática metafísica, filosófica, teológica, pertencente a todo homem, de qualquer lugar.
Sertão, Mundo e Poesia
Das cenas rosianas, brotam ambientes vivos, dinâmicos, espaços existenciais, interativos, por vezes, personificados, verdadeiramente panteístas, em cujo tempo encontramos, sobretudo, o fluxo interior, circular e revelador; brotam universos folclóricos, cercados de transcedência; brotam vidas enquanto existência exterior e interior e mortes enquanto limitação: o amor, a comunhão, os rompimentos, os medos, as certezas, as angústias, as esperanças, as desilusões,as descobertas, as perdas, o Deus, o Demônio, o bem o mal; as tensões entre o sertão e o mundo, entre o mundo e a linguagem brotam de Rosa, belos, desde suas primeiras estórias.
Fabuloso fabulista, Rosa procurou com a ficção encontrar as respostas para as perguntas essenciais da vida, enquanto destino material e místico - essencialidade que aproxima a ciência da metafísica, redundando numa profunda integração entre a arte e a realidade: " saber de onde viemos", "para onde vamos" e "por que estamos aqui" são os saberes que somente encontram repsostas quando a ciência, a religião e a arte caminham entrelaçadas e comprometidas, indistintamente, com as verdades históricas e com as verdades místicas e metafísicas.
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Interessante!
Fabuloso fabulista, Rosa procurou com a ficção encontrar as respostas para as perguntas essenciais da vida, enquanto destino material e místico - essencialidade que aproxima a ciência da metafísica, redundando numa profunda integração entre a arte e a realidade: " saber de onde viemos", "para onde vamos" e "por que estamos aqui" são os saberes que somente encontram repsostas quando a ciência, a religião e a arte caminham entrelaçadas e comprometidas, indistintamente, com as verdades históricas e com as verdades místicas e metafísicas.
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